terça-feira, 13 de setembro de 2011

pseudo-despedida

Emudeci minha voz
e parei meu coração
um vazio na imensidão
é só que há de restar em vós
Mas, independente do futuro,
eu continuarei ao teu lado
Quero ouvir de ti um feliz brado
quando me vires, ainda que no escuro

E mesmo com este ato de impulso
e teu coração batendo avulso
quero te deixar com uma certeza:

Aquilo que achas que termina agora,
como já te dissera outrora,
continua com ainda mais pureza.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

mala

caiu por cima de mim
suspiramos juntos
levantou e eu, sem entender
fiquei olhando.
abriu o zíper da minha mala
começou a jogar as roupas todas pelo quarto
você não foi
eu não tinha ido
ainda estava aqui
e você não vai
realmente, arrumei a mala
mas foi impulso...
é, acho que ainda vou ficar um bom tempo

domingo, 7 de agosto de 2011

E se eu pedir com jeitinho, você...

me abraça?
deita do meu lado?
faz graça?
fica despreocupado?

cuida de mim?
sente minha falta?
não pensa no fim?
ri em voz alta?

chora comigo?
vem para cá?
diz o que eu digo?
me faz um chá?

me dá uma bronca?
aceita desculpa?
finge que ronca?
me leva pra Lua?

me faz rir?
caminha ao meu lado?
me põe pra dormir?
fica acordado?

me faz cafuné?
vem me buscar?
me beija de pé?
pode me ligar?

liga a água quente?
me cobre e me esquenta?
me ensina a ser gente?
jura que me aguenta?

acorda bem cedo?
me dá uma flor?
segura meu dedo?
me enche de amor?

me leva ao cinema?
me espera em casa?
resolve o problema?
fecha sua asa?

me dá um colher?
me dá um gole d'água?
me diz o que quer?
seca minha lágrima?

me abraça de novo?
me dá mais um beijo?
diz que me ama?
dispensa a última rima?

sábado, 6 de agosto de 2011

Teu silêncio

Eu costumava ter medo do teu silêncio. Parecias calar a voz de uma forma natural e segura, enquanto por trás do meu silêncio-resposta havia uma infinitude de perguntas, inseguranças e teorias. Teu silêncio era incômodo. Eu ficava me perguntando se havia algo não-dito e se tua intenção era dizê-lo ou se eu precisaria continuar imaginando. Imaginava se tinhas algum segredo para me contar, se tinhas medo de me dizer algo, ou se tinhas alguma pergunta a fazer e imaginava também por que não fazias nada disso. Cheguei a achar ser falta de confiança tua e depois percebi que quem não confiava em mim era eu mesma. Não confiava em minha capacidade de te fazer feliz, não me considerava capaz de te fazer sentir seguro, não me achava digna de tanta atenção...
Hoje fico feliz com nossos silêncios. É aí que consta a verdadeira intimidade, é aí que consta o real sentimento de confiança. Hoje sei que, quando te calas, é porque não fazes questão de quebrar o silêncio, já não incômodo; é porque te sentes confortável de tal forma a crer na minha segurança quando ouço teu silêncio-resposta. Não busco agitar o ar acima de nós com ondas sonoras de perguntas desnecessárias, ao mesmo tempo que não evito fazê-lo quando intento a comentar, perguntar, compartilhar. Deitada ao teu lado, sentada atrás de ti, agachada por cima de teu corpo, recolhida dentro de teus braços e até mesmo aconchegada em teu silêncio.
E quando te silencias de forma rude ou magoada, sei que o fazes por me saber capaz de decifrar teu olhos gritantes e teu corpo expressivo. Por mais que me doa, lembro-me de antes, quando qualquer breve pausa era mais barulhenta dentro de mim do que teu som eletrônico berrante.
Obrigada por confiar em mim o suficiente para fazer silêncio.
E mesmo tendo escrito apenas sobre o silêncio, obrigada pelas palavras. Por todas elas.
Inclusive pelas três tradicionais.

Garantia

Certas palavras atuam sobre você de um modo diferente de como atuam sobre mim. Nada me garante que, quando me dizes isso, há em seu dizer a imensidão existente na minha receptividade para ouvir aquilo que tanto gosto. Mas sei que, para proferi-las, deve haver um pensamento a precedê-las que diz respeito ao seu bem-querer por mim, ou que te faz ponderar sobre o quanto importamos um para o outro. E mesmo sua definição não equivalendo à minha, a certeza da sinceridade em questão me tranquiliza.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Simultaneidade

Ambos atuavam em sincronia.
Enquanto ela apagava as velas de seu aniversário,
o tempo apagava as lembranças de sua vida.

Surreal

Vendo de dentro, eu achei inacreditável. Surreal mesmo. E só uma pessoa poderia ser a causa de tamanho absurdo: o salvador daquele lugar. O Salvador Dalí.

sábado, 23 de julho de 2011

/tenho andado

tenho andado numa só direção
sigo em frente e não ligo para os buracos da calçada
atravesso a rua sem olhar para os lados
o céu sobre minha cabeça parece sugar tudo quanto é ideia
grito por elas em minha mente
e elas parecem não querer voltar
continuo andando em frente e o céu ainda é cinza
ali em frente naquele rio
corre uma água gelada que não me desperta
me pergunto se ele leva a algum lugar diferente daqui
me pergunto se ele me leva para casa
quero voltar para casa
ei, rio, me leva para casa, por favor?
todos aqui são estranhos
mas lembro do que ela disse:
eu tenho que crescer
tenho que me desprender
tenho que cuidar de mim
sem esperar que os outros façam isso em meu lugar
mas será que aquele rio não pode me levar para casa?