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quinta-feira, 1 de março de 2012

o problema da nudez

Dizem ser indecente
o seio à mostra
mas nada dizem a res
/peito
do olhar acinzentado
que chove no asfalto...

tanta beleza no nu e reclamam!
ora, não entendo
o corpo é o mesmo para todos
e querem escondê-lo...
cambada de hipócritas!

como dói (ai!!!!!!)
esbarrar por acaso
/caso
com um olho triste
que perambula por aí
quase alheio e independentemente
/mente
do corpo

cambada de hipócritas!

buraco

Destampa teu corpo
e teus olhos
e tua boca pudica...

quero te ver inteiramente!
tira essa máscara!
quero ficar a sós
com quem realmente és...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mistura

Fundem-se
movidos por uma força maior


de dois, viram um
mexendo em todas as direções


depois de unificados, 
é que vem o momento
do movimento
pra dentro


depois que entra
sai o ar em suspiro
de alívio


quando o líquido chega lá
láááá, sabe?
lá dentro
aí vem o último suspiro:
adoro café com leite

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Confusão

No calor do lençol
com nossos pés enroscados,
confundo-me entre dois:
um deles sou eu

e o outro também.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uma homenagem que não cabe a mim

Meu amor!
uma flor, uma nuvem,
uma concha, uma estrela,
uma gota de água da chuva,
um grão de areia,
uma gota de água do mar,
um grão de terra,
uma gota de água do rio,
um grão de poeira,
uma gota de água de lágrima,
um grão de amor.

o que houver de mais belo e puro na natureza
homenageia nosso amor, de inenarrável beleza!
e eu, humildemente, só tenho os dois últimos pra oferecer...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

exclama pergunta pergunta

o mundo tá girando de uma forma estranha!
será que mudou de direção?
ou sou eu que estou andando na contra-mão?

a luz do fim do túnel não tá chegando...
será que engoliram toda a luz do mundo?
ou fui eu que caí muito fundo?

o passarinho não canta, agora grita!
será que ele está com medo de altura?
ou é a minha sensibilidade que está dura?

o vento parece que parou de dançar!
será que está de luto pelas árvores mortas?
ou são minhas estradas que estão muito tortas?

a água da chuva agora tem cor de sangue!
será que está havendo uma guerra?
ou sou eu no lugar errado da Terra?

o brilho do meu olho agora ofuscou...
será que é alguma doença que pega?
ou fui que de vez fiquei cega?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um passarinho me contou

na melodia do canário, a tristeza
era consequente da sua incerteza
se iria ou não poder um dia voar.

apreciavam-lhe os humanos seu belo canto
mas não viam, iludidos, o constante pranto
que seus olhos pequenos faziam escoar.

via outras aves passando pela janela
e emocionava-se sempre ao sentir tão singela
brisa que às vezes entrava pela cortina.

quando a mãe de sua dona foi trocar o alpiste
viu o canário caído e ficou muito triste
pela morte precoce do bichinho da menina.

abriu, então, a portinha da gaiola
pensando consigo "o tempo consola"
para tirar o corpinho d'ali de dentro.

antes mesmo que pusesse sua mão
o corpo jazindo ali até então
quase a fez, de susto, sair correndo.

o canário, num repente, saiu voando
e ela não entendeu que era só um plano
de alguém que ansiava a própria vida.

o bichinho, esperto, fingiu-se de morto
conforme aprendeu com um nobre cachorro
que morava ao lado com uma vizinha inxerida.

ouviu-se a partir daquele dia, finalmente,
a real beleza, que é a do cantar contente
de um passarinho bonito e bastante sonhador.

passou a comer frutas, ver o sol nascer
beber água do lago e de gato correr
com sombra, água fresca e um bocado de amor.

ensinou a seus amigos sobre a perseverança
que lutassem pelos sonhos de quando criança
pois há certas coisas merecidas de verdade.

narrou com calma sua história e contou
da sensação indescritível ao levantar vôo
e da beleza presente em se ter liberdade.

conheceu, pouco depois, uma canarinha engraçada
que, ao ouvir sua trajetória, ficou encantada
e disseram um ao outro "te amo e te quero"

apaixonados, felizes e com muita leveza
aprenderam, juntos, a importância da natureza
e de ter dentro de si um Amor bem sincero.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Inspira, resp/... Acabou o tempo! Volta!

Escrevo para nós
num breve momento de respiração;

tão rápida, tão duradoura
tão estranha, não é?

Assustadora, sim; concordo contigo!
Mas não olhe para trás,
não tenha medo de olhar para frente,
olhe para o lado e verá seu reflexo comigo.

Não! Não! Não o roubei!
Ele apenas não sai da minha pele
Sua imagem não sai do meu nariz
Seu cheiro não sai da minha boca
Seu gosto não sai dos meus ouvidos
Ah, sinestesia!
É que você me confunde
me entende e me faz entender.

Eita, diacho, quanta coisa!





Vem?...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

mala

caiu por cima de mim
suspiramos juntos
levantou e eu, sem entender
fiquei olhando.
abriu o zíper da minha mala
começou a jogar as roupas todas pelo quarto
você não foi
eu não tinha ido
ainda estava aqui
e você não vai
realmente, arrumei a mala
mas foi impulso...
é, acho que ainda vou ficar um bom tempo

sábado, 23 de julho de 2011

/tenho andado

tenho andado numa só direção
sigo em frente e não ligo para os buracos da calçada
atravesso a rua sem olhar para os lados
o céu sobre minha cabeça parece sugar tudo quanto é ideia
grito por elas em minha mente
e elas parecem não querer voltar
continuo andando em frente e o céu ainda é cinza
ali em frente naquele rio
corre uma água gelada que não me desperta
me pergunto se ele leva a algum lugar diferente daqui
me pergunto se ele me leva para casa
quero voltar para casa
ei, rio, me leva para casa, por favor?
todos aqui são estranhos
mas lembro do que ela disse:
eu tenho que crescer
tenho que me desprender
tenho que cuidar de mim
sem esperar que os outros façam isso em meu lugar
mas será que aquele rio não pode me levar para casa?

domingo, 26 de junho de 2011

Lá em cima

Lá de cima das nuvens
vi o céu mais estrelado
vi um mundo diferente.
Abaixo de mim muita luz
e, acima, estrela cadente.

Lá de cima das nuvens
vi o sol ir embora
para voltar depois de algumas horas
pelo lado oposto.
Senti o sol aparecendo
e demorou para esquentar mais do que pensei.
Como um carro a álcool
ou um sentimento recém-plantado.

Lá de cima das nuvens
vi o cheiro do sereno
enquanto ouvia o gosto das maçãs
vi a gaivota lá longe
e vi um papel voar sem rumo.

Vi as luzes oscilando
e algumas se movimentando,
vi meu amor instrumentando.

Vi o silêncio da paz que reina lá em cima
vi o fogo ser reacendido
daquilo que parecia inresgatável
como um amor quase vencido
depois de muitos anos louvável.

Vi que o homem deixa sua marca no mundo
Como o fogo que vira cinzas
Ou areia que suja os pés
Vi que a natureza é soberana a nós
Vi a lua brilhar contente
Mesmo quando o fogo do sol já queimava a gente.

Vi como é bom dormir na pedra
E vi como nada se perde
Cantei músicas que achei ter esquecido
E vi que não esquecemos
daquilo que realmente gostamos

Porque lá em cima é um mundo diferente.

Araras, 25 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

/vi o céu

vi o céu adormecer,
enquanto o sol se despedia,
selando com o mar um beijo demorado
em um degradê incomum.

a lua, prateada, surgiu por trás
banhando o oceano com seu manto de luz
e cobriu o esperado breu da noite
com seu pano de seda suave e invisível.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

/nada mais

Nada mais nosso do que nós.
Nada mais eu do que você.
Nada mais seu do que eu.
Nada mais nosso.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Harmonia

a melodia do dedilhado de seu violão
combina com meu sorriso abobado
que se encaixa perfeitamente em sua voz rouca
que é o par perfeito da minha mão comprida de unhas cortadas
que ficam bem ao lado das suas unhas roídas
que fazem parte da mão
que dedilha o violão.

É, a gente combina.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ter

dia após dia
tenho cada vez menos
do pouco que me resta
de algo que nunca tive.

terça-feira, 19 de abril de 2011

desacato à autoridade

as palavras estão presas neste papel
e por mais que possam se soltar
numa forma idêntica,
aqui estão.
e ainda que daqui saiam,
aqui já estiveram,
portanto, aqui estarão.

na ponta desse lápis
que se doa
se desfaz
se autodestrói
para fazer
me fazer
e refazer
aquilo que não consigo dizer.

a dormência me entrega

a dormência me entrega.
me entrego à dormência.
a dormência de meus dedos
escrevendo sem parar
palavras sem pensar.

a dormência de minhas pernas
dobradas há muito
numa posição que não é confortável o bastante
nem importante o suficiente
a ponto de querer mudá-la.

a dormência de meus olhos
que, num piscar imperceptível,
não cedem ao cansaço
mesmo ligados neste papel,
servindo de elo entre o mesmo
e o mundo aqui fora.

a dormência
de uma dor no coração.
a dormência
de uma dor na mente
que não mente
da dor que se sente.

a dor me entrega.
eu me entrego à dor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O pássaro na árvore

Olhei pela janela e vi
o passáro
na árvore.

Saí pisei pulei molhei
e quando voltei o
pássaro ainda estava
na árvore.

Dormi, acordei, e me acostumei com
o pássaro
na árvore.

Todo dia de manhã
o pássaro cantava
na árvore.

Todo dia à tarde
o pássaro pousava de galho em galho
na árvore.

Todo dia à noite
o pássaro voltava para o galho inicial
na árvore.

Um belo dia
o pássaro não estava mais
na árvore.

Até hoje não sei porque achei que seria um belo dia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Não choro sozinha

janelas paredes portas pessoas
passam por mim sem se sentirem notadas
choram comigo
mostrando o desencanto deste dia
cinzento, frio e quase estático,
se não fosse pelo turbilhão de coisas
dentro da minha cabeça,
que se confunde com o turbilhão
de nada
em algum outro lugar
dentro de
mim.

terça-feira, 15 de março de 2011

Re-

Quero fazer.
Quero fazer de novo;
re-fazer.

Quero correr.
Quero correr de novo;
re-correr.
Mas a quem?