a dormência me entrega.
me entrego à dormência.
a dormência de meus dedos
escrevendo sem parar
palavras sem pensar.
a dormência de minhas pernas
dobradas há muito
numa posição que não é confortável o bastante
nem importante o suficiente
a ponto de querer mudá-la.
a dormência de meus olhos
que, num piscar imperceptível,
não cedem ao cansaço
mesmo ligados neste papel,
servindo de elo entre o mesmo
e o mundo aqui fora.
a dormência
de uma dor no coração.
a dormência
de uma dor na mente
que não mente
da dor que se sente.
a dor me entrega.
eu me entrego à dor.
terça-feira, 19 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O pássaro na árvore
Olhei pela janela e vi
o passáro
na árvore.
Saí pisei pulei molhei
e quando voltei o
pássaro ainda estava
na árvore.
Dormi, acordei, e me acostumei com
o pássaro
na árvore.
Todo dia de manhã
o pássaro cantava
na árvore.
Todo dia à tarde
o pássaro pousava de galho em galho
na árvore.
Todo dia à noite
o pássaro voltava para o galho inicial
na árvore.
Um belo dia
o pássaro não estava mais
na árvore.
Até hoje não sei porque achei que seria um belo dia.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Não choro sozinha
janelas paredes portas pessoas
passam por mim sem se sentirem notadas
choram comigo
mostrando o desencanto deste dia
cinzento, frio e quase estático,
se não fosse pelo turbilhão de coisas
dentro da minha cabeça,
que se confunde com o turbilhão
de nada
em algum outro lugar
dentro de
mim.
passam por mim sem se sentirem notadas
choram comigo
mostrando o desencanto deste dia
cinzento, frio e quase estático,
se não fosse pelo turbilhão de coisas
dentro da minha cabeça,
que se confunde com o turbilhão
de nada
em algum outro lugar
dentro de
mim.
Contagem
Eu não sabia como contar...
Então, resolvi fazer da maneira mais básica possível:
1, 2, 3, 4...
(31 de março de 2011)
Então, resolvi fazer da maneira mais básica possível:
1, 2, 3, 4...
(31 de março de 2011)
Sem título
Será que é o fim?
Não, de fato, independente do que seja É um fim.
Mas, mais do que um fim... será que já é um começo?
Não, de fato, independente do que seja, se é um fim, É um começo.
Mas é mais fim ou mais começo?
(25 de março de 2011)
Não, de fato, independente do que seja É um fim.
Mas, mais do que um fim... será que já é um começo?
Não, de fato, independente do que seja, se é um fim, É um começo.
Mas é mais fim ou mais começo?
(25 de março de 2011)
sexta-feira, 18 de março de 2011
a carta que nunca li
sua carta nunca lida
ainda está na minha gaveta
por fraqueza abro uma fresta
e vejo só a silhueta
alguma coisa muito grande
pulsa forte ali dentro
tento fingir que não ouço
mas sempre me desconcentro
suas palavras quase gritam
num gromelô inovador
mas não adentram meu ouvido
pois têm um medo a transpor.
esse medo é um apagador
de tudo aquilo que você diz
dessa forma, me ensurdece
e resta só o pó do giz.
se eu não fosse tão covarde
já saberia o que está escrito
mas receio o que vou ler
e depois não pode ser desdito.
acho que a melhor solução
é deixá-la aonde está.
então continuemos assim:
você aí e eu cá.
ainda está na minha gaveta
por fraqueza abro uma fresta
e vejo só a silhueta
alguma coisa muito grande
pulsa forte ali dentro
tento fingir que não ouço
mas sempre me desconcentro
suas palavras quase gritam
num gromelô inovador
mas não adentram meu ouvido
pois têm um medo a transpor.
esse medo é um apagador
de tudo aquilo que você diz
dessa forma, me ensurdece
e resta só o pó do giz.
se eu não fosse tão covarde
já saberia o que está escrito
mas receio o que vou ler
e depois não pode ser desdito.
acho que a melhor solução
é deixá-la aonde está.
então continuemos assim:
você aí e eu cá.
Mentira
minha confusão incessante
estagnou meus pensamentos
o medo de te machucar
virou o maior dos tormentos.
quero abrir mão de nós
para você não correr riscos.
parecem reticências,
mas acho que são asteriscos.
ao invés de tentar não
vou preferir não tentar.
mas não está dando certo
sinto falta do ar.
ter você e recusar
é tarefa cansativa.
prefiro não ter que optar
para não ficar na defensiva
portanto, combina-se assim,
vamos logo esclarecer:
você fica longe de mim,
doa isso o que doer.
estagnou meus pensamentos
o medo de te machucar
virou o maior dos tormentos.
quero abrir mão de nós
para você não correr riscos.
parecem reticências,
mas acho que são asteriscos.
ao invés de tentar não
vou preferir não tentar.
mas não está dando certo
sinto falta do ar.
ter você e recusar
é tarefa cansativa.
prefiro não ter que optar
para não ficar na defensiva
portanto, combina-se assim,
vamos logo esclarecer:
você fica longe de mim,
doa isso o que doer.
terça-feira, 15 de março de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)