A questão não é só o que ele faz. Mas como ele o faz. Ele me beija? E muito. Mas eu só gosto quando segura meu rosto em suas mãos ternamente e me beija com sinceridade. Não precisa ser aquilo piegas, mas olhar nos olhos estabelece um outro tipo de contato, que não só carnal. O beijo automático, na quantidade que for, não me agrada. Ele segura minha mão? Sim, constantemente. Mas confesso que me faz sentir mais querida quando ele dá aquela ajeitada para que as mãos estejam bem seguradas uma na outra e que o laço esteja dado, efetivamente. Segurar só pelo hábito, por melhor que seja, não é a mesma coisa. Me abraça? Positivo, em vários momentos do dia. Mas só é revitalizante aquele abraço bem apertado, sem objetivo de ser forte, mas de ser intenso. Ou aquele abraço protetor, ou o abraço grato. Mas o abraço só pelo gesto não conta. Pronuncia meu nome? Inúmeras vezes. E tem o hábito de fazê-lo sempre por um motivo bom, com carinho, com respeito, com admiração. Ele cuida de mim? Claro! E eu nem preciso pedir. Me manda colocar a meia, fala para eu escovar os dentes, me diz para colocar um casaco, me manda ir dormir cedo. Faz isso num tom preocupado e carinhoso, importando-se com meu bem-estar.
Sintetizando, ele é... foda.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
pseudo-despedida
Emudeci minha voz
e parei meu coração
um vazio na imensidão
é só que há de restar em vós
Mas, independente do futuro,
eu continuarei ao teu lado
Quero ouvir de ti um feliz brado
quando me vires, ainda que no escuro
E mesmo com este ato de impulso
e teu coração batendo avulso
quero te deixar com uma certeza:
Aquilo que achas que termina agora,
como já te dissera outrora,
continua com ainda mais pureza.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
mala
caiu por cima de mim
suspiramos juntos
levantou e eu, sem entender
fiquei olhando.
abriu o zíper da minha mala
começou a jogar as roupas todas pelo quarto
você não foi
eu não tinha ido
ainda estava aqui
e você não vai
realmente, arrumei a mala
mas foi impulso...
é, acho que ainda vou ficar um bom tempo
domingo, 7 de agosto de 2011
E se eu pedir com jeitinho, você...
me abraça?
deita do meu lado?
faz graça?
fica despreocupado?
cuida de mim?
sente minha falta?
não pensa no fim?
ri em voz alta?
chora comigo?
vem para cá?
diz o que eu digo?
me faz um chá?
me dá uma bronca?
aceita desculpa?
finge que ronca?
me leva pra Lua?
me faz rir?
caminha ao meu lado?
me põe pra dormir?
fica acordado?
me faz cafuné?
vem me buscar?
me beija de pé?
pode me ligar?
liga a água quente?
me cobre e me esquenta?
me ensina a ser gente?
jura que me aguenta?
acorda bem cedo?
me dá uma flor?
segura meu dedo?
me enche de amor?
me leva ao cinema?
me espera em casa?
resolve o problema?
fecha sua asa?
me dá um colher?
me dá um gole d'água?
me diz o que quer?
seca minha lágrima?
me abraça de novo?
me dá mais um beijo?
diz que me ama?
dispensa a última rima?
sábado, 6 de agosto de 2011
Teu silêncio
Eu costumava ter medo do teu silêncio. Parecias calar a voz de uma forma natural e segura, enquanto por trás do meu silêncio-resposta havia uma infinitude de perguntas, inseguranças e teorias. Teu silêncio era incômodo. Eu ficava me perguntando se havia algo não-dito e se tua intenção era dizê-lo ou se eu precisaria continuar imaginando. Imaginava se tinhas algum segredo para me contar, se tinhas medo de me dizer algo, ou se tinhas alguma pergunta a fazer e imaginava também por que não fazias nada disso. Cheguei a achar ser falta de confiança tua e depois percebi que quem não confiava em mim era eu mesma. Não confiava em minha capacidade de te fazer feliz, não me considerava capaz de te fazer sentir seguro, não me achava digna de tanta atenção...
Hoje fico feliz com nossos silêncios. É aí que consta a verdadeira intimidade, é aí que consta o real sentimento de confiança. Hoje sei que, quando te calas, é porque não fazes questão de quebrar o silêncio, já não incômodo; é porque te sentes confortável de tal forma a crer na minha segurança quando ouço teu silêncio-resposta. Não busco agitar o ar acima de nós com ondas sonoras de perguntas desnecessárias, ao mesmo tempo que não evito fazê-lo quando intento a comentar, perguntar, compartilhar. Deitada ao teu lado, sentada atrás de ti, agachada por cima de teu corpo, recolhida dentro de teus braços e até mesmo aconchegada em teu silêncio.
E quando te silencias de forma rude ou magoada, sei que o fazes por me saber capaz de decifrar teu olhos gritantes e teu corpo expressivo. Por mais que me doa, lembro-me de antes, quando qualquer breve pausa era mais barulhenta dentro de mim do que teu som eletrônico berrante.
Obrigada por confiar em mim o suficiente para fazer silêncio.
E mesmo tendo escrito apenas sobre o silêncio, obrigada pelas palavras. Por todas elas.
Inclusive pelas três tradicionais.
Garantia
Certas palavras atuam sobre você de um modo diferente de como atuam sobre mim. Nada me garante que, quando me dizes isso, há em seu dizer a imensidão existente na minha receptividade para ouvir aquilo que tanto gosto. Mas sei que, para proferi-las, deve haver um pensamento a precedê-las que diz respeito ao seu bem-querer por mim, ou que te faz ponderar sobre o quanto importamos um para o outro. E mesmo sua definição não equivalendo à minha, a certeza da sinceridade em questão me tranquiliza.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Simultaneidade
Ambos atuavam em sincronia.
Enquanto ela apagava as velas de seu aniversário,
o tempo apagava as lembranças de sua vida.
Enquanto ela apagava as velas de seu aniversário,
o tempo apagava as lembranças de sua vida.
Surreal
Vendo de dentro, eu achei inacreditável. Surreal mesmo. E só uma pessoa poderia ser a causa de tamanho absurdo: o salvador daquele lugar. O Salvador Dalí.
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