sábado, 21 de abril de 2012

Tua infuência sobre mim

O copo de chopp
suava menos que minha mão
Nossos pés se esbarravam
e a gente agia naturalmente
negando qualquer tipo de tensão
tentação
tesão

enquanto a gente conversa,
seu olho encontra minha boca
sua boca encontra meu olho
e quandos nossos olhos se encontram
desejam que as bocas também o façam

eu cansei de esperar
mas a ponta da tua caneta
tá marcada no meu pensar
e um dia eu vou te enviar uma carta
com tudo o que você tá escrevendo em mim
     'cê tá bem? tá quieta
     sim, tô só cansada...

cansada de imaginar,
me pergunto se você enxerga
o que acontece quando estamos por perto
a energia do nosso encontro é nítida pra mim
e o calor que você nega da praia
eu juro que posso te dar
te dar o calor
(e o que mais estiver implícito em tal sensação)

sábado, 3 de março de 2012

Vem!

Você falou no meu ouvido surdo
E eu não ouvi
Achei que você não tava
E nem sei o motivo...

Vou dormir porque a rua me chama.

Caminhos

Ouço a música de um piano que ninguém toca, acompanhada pela melodia da sua voz que não canta. Ouço os passos de seus pés que já não andam e te ouço bater à porta para pedir permissão de entrada com as mãos que já não te pertencem.
Eu também não pertenço.
Não pertenço mais a mim. Estou entregue a um passado que me liga ao presente através de ponte nenhuma. Estou entregue a um futuro que me engole numa solução de água, sal e expectativas. Me alimento de um sanduíche feito com pão integral, queijo e medo. Tento engolir o medo, mas ele entala em minha garganta e me sufoca. Sufoco nesse ônibus de janela fechada e sem ar-condicionado e com muita gente e eu sinto cheiro de suor e eu sinto cheiro de cecê e o suor desse cara do meu lado contaminou meu suor e eu já não identifico a diferença entre eles.
Talvez não haja diferença.

Alergia


Eu lembro de tentar te pegar
como eu faço agora
mas antes eu conseguia
e você virava o pegador
agora eu pego poeira
que me dá alergia
me faz espirrar, lacrimejar
chorar...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pra acalmar

Vim aqui te avisar que é bom crescer.
Nessas horas em que você está sozinha, você acaba aprendendo tanta coisa sobre si mesma...
Aprende a respirar fundo.
Aprende a se distanciar dos seus sentimentos. Quando eles estão prestes a transbordar você os olha de longe, como se não houvesse identificação e deixa-os enterrados no buraco mais fundo que você pode cavar.
Aprende a aproveitar o silêncio.
Tenta se desprender daquilo que você acha que é... Só assim vai poder descobrir um outro jeito de existir. Abre mão desse conforto estagnado do suposto autoconhecimento... É cedo demais pra isso! É tarde demais pra isso!
Você não é assim, você não é assado. Você nunca vai ser!
Não precisa prender, mas também não precisa inventar o que soltar...
Não precisa ter medo dessa hierarquia que inventaram. Vocês são tanto quanto eles são.
Fala de igual pra igual.
Olha no olho.
Não se deve ter medo da própria sinceridade.
Agora desenterra os sentimentos que te mandei enterrar ali no começo. O chão é sua base; se você deixar os sentimentos enterrados, eles estarão te sustentando...
Sai dessa!
Desenterra esses sentimentos e transforma em vento...
Em cor de vento!
Aí eles voam e você pode voar também.
Porque o chão é sua base, mas o céu não é seu teto!

o problema da nudez

Dizem ser indecente
o seio à mostra
mas nada dizem a res
/peito
do olhar acinzentado
que chove no asfalto...

tanta beleza no nu e reclamam!
ora, não entendo
o corpo é o mesmo para todos
e querem escondê-lo...
cambada de hipócritas!

como dói (ai!!!!!!)
esbarrar por acaso
/caso
com um olho triste
que perambula por aí
quase alheio e independentemente
/mente
do corpo

cambada de hipócritas!

buraco

Destampa teu corpo
e teus olhos
e tua boca pudica...

quero te ver inteiramente!
tira essa máscara!
quero ficar a sós
com quem realmente és...

Ambiguidade na leitura do poema

Depois de ler cada palavra,
depois de tentar diferentes entonações
encontrou uma que agradava:
o poema conseguiu me ler até de trás pra frente.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mistura

Fundem-se
movidos por uma força maior


de dois, viram um
mexendo em todas as direções


depois de unificados, 
é que vem o momento
do movimento
pra dentro


depois que entra
sai o ar em suspiro
de alívio


quando o líquido chega lá
láááá, sabe?
lá dentro
aí vem o último suspiro:
adoro café com leite

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Confusão

No calor do lençol
com nossos pés enroscados,
confundo-me entre dois:
um deles sou eu

e o outro também.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uma homenagem que não cabe a mim

Meu amor!
uma flor, uma nuvem,
uma concha, uma estrela,
uma gota de água da chuva,
um grão de areia,
uma gota de água do mar,
um grão de terra,
uma gota de água do rio,
um grão de poeira,
uma gota de água de lágrima,
um grão de amor.

o que houver de mais belo e puro na natureza
homenageia nosso amor, de inenarrável beleza!
e eu, humildemente, só tenho os dois últimos pra oferecer...

domingo, 18 de dezembro de 2011



 Meu anjinho,
sei que você não vai acessar meu blog e sei também que não vou ler isso daqui para você... Mas eu não quero ter que esperar você chegar no fim da sua (longa!) vida para te escrever alguma coisa. É que agora eu estou longe, sabe? Então eu fico olhando para as suas fotos e me dá muita saudade de te apertar inteiro e você fazer aquele barulhinho rosnando baixinho como quem diz "chega...". Agora que a gente não está na mesma casa me dá muita saudade de te ver durante o meu dia inteiro e eu queria te pedir desculpas por não estar tão presente na sua vida, tá? Você tá ficando grisalho e fica mais quietinho... Sabe, eu realmente acho que você sinta todas essas mudanças (você sabe do que eu estou falando) e eu também sinto. Agora a gente tem uma irmã mais nova que você e eu queria te pedir para ter paciência com ela. E eu sei que você tem! A Bia é picurrucha ainda, você já foi também...
Lembra que você nasceu cabeçudo? Seu lindo! Acho tão encantador seu jeito calmo de ser... Confesso que sinto falta de caminhar com você na praia, mas é tudo questão de fase.
Pingo, Pingão, Pingostoso, Pingolingo, Pingolindo, Pingo Alberto, José Pingo, Pingo José (...),
eu queria te agradecer por ter crescido ao meu lado, por ter ido comigo à praia, por ter dormido comigo na cama várias e várias noites, por não ter destruído o Balto e por ter destruído minhas Barbies...

É um Pingo até grande pro nome
mas o Amor não é só um Pingo;
é uma chuva inteira!

Seu olho brilha aqui na Terra e, quando chegar a hora, vai brilhar sua estrela lá no céu.
Fica relaxado aí, meu gostoso, que eu volto já, já!


Um beijo cheio de amor de alguém que está sentindo saudade da sua lambida,
sua irmã mais nova/mais velha!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

exclama pergunta pergunta

o mundo tá girando de uma forma estranha!
será que mudou de direção?
ou sou eu que estou andando na contra-mão?

a luz do fim do túnel não tá chegando...
será que engoliram toda a luz do mundo?
ou fui eu que caí muito fundo?

o passarinho não canta, agora grita!
será que ele está com medo de altura?
ou é a minha sensibilidade que está dura?

o vento parece que parou de dançar!
será que está de luto pelas árvores mortas?
ou são minhas estradas que estão muito tortas?

a água da chuva agora tem cor de sangue!
será que está havendo uma guerra?
ou sou eu no lugar errado da Terra?

o brilho do meu olho agora ofuscou...
será que é alguma doença que pega?
ou fui que de vez fiquei cega?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Oops!...

Quando, pela manhã, cada um se arrumava para ir ao respectivo trabalho, o casal tinha um combinado: a cor da sombra nos olhos da moça seria a mesma da gravata dele, escolhida a partir da calcinha que ela usava no dia (calcinha esta sempre de acordo com a cor da camisinha usada por eles na noite anterior).
Ria consigo mesma quando as amigas de trabalho perguntavam porque ela tinha ido sem a sombra...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um passarinho me contou

na melodia do canário, a tristeza
era consequente da sua incerteza
se iria ou não poder um dia voar.

apreciavam-lhe os humanos seu belo canto
mas não viam, iludidos, o constante pranto
que seus olhos pequenos faziam escoar.

via outras aves passando pela janela
e emocionava-se sempre ao sentir tão singela
brisa que às vezes entrava pela cortina.

quando a mãe de sua dona foi trocar o alpiste
viu o canário caído e ficou muito triste
pela morte precoce do bichinho da menina.

abriu, então, a portinha da gaiola
pensando consigo "o tempo consola"
para tirar o corpinho d'ali de dentro.

antes mesmo que pusesse sua mão
o corpo jazindo ali até então
quase a fez, de susto, sair correndo.

o canário, num repente, saiu voando
e ela não entendeu que era só um plano
de alguém que ansiava a própria vida.

o bichinho, esperto, fingiu-se de morto
conforme aprendeu com um nobre cachorro
que morava ao lado com uma vizinha inxerida.

ouviu-se a partir daquele dia, finalmente,
a real beleza, que é a do cantar contente
de um passarinho bonito e bastante sonhador.

passou a comer frutas, ver o sol nascer
beber água do lago e de gato correr
com sombra, água fresca e um bocado de amor.

ensinou a seus amigos sobre a perseverança
que lutassem pelos sonhos de quando criança
pois há certas coisas merecidas de verdade.

narrou com calma sua história e contou
da sensação indescritível ao levantar vôo
e da beleza presente em se ter liberdade.

conheceu, pouco depois, uma canarinha engraçada
que, ao ouvir sua trajetória, ficou encantada
e disseram um ao outro "te amo e te quero"

apaixonados, felizes e com muita leveza
aprenderam, juntos, a importância da natureza
e de ter dentro de si um Amor bem sincero.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Guardei

Você me pediu para guardar as poesias que fiz para você. Todas elas. E eu peguei uma por uma e coloquei dentro de uma caixa na gaveta. Li atenciosamente cada palavra e quase me perdi na imensidão em que estava inserida, me senti fora de mim mesma. Fechei a caixa com muito cuidado mas ainda conseguia ouvir todas as letras e sílabas gritando, esperneando. As vozes eram a minha e a sua, tinha também a de alguém que sabe sobre nós aquilo que nós também sabemos mas fingimos não saber. E olha que nosso fingimento não é de propósito. Aos poucos, entendi o método para fazê-las se calarem e hoje em dia não escuto vozes. Não essas.

Você me pediu para guardar os beijos que queria te dar. Todos eles. E eu me contive; segurei cada beijo dentro da minha boca, senti meus lábios secarem, senti minha gengiva quase sangrar e praticamente morri asfixiada por causa da quantidade enorme de beijos tampando minha glote. Os eufóricos com a sua presença, os saudosos com a tua ausência, os tristes com as minhas lembranças e os felizes com as nossas . Todos esses beijos ficaram guardados em minhas papilas gustativas e, aos poucos, aprendi - por necessidade - a engoli-los. Meu organismo aprendeu a absorvê-los e, de vez em quando, sinto uns choques em minhas veias sanguíneas.

Você me pediu para guardar os abraços que queria te dar. Todos eles. Eu me congelei; mantive dentro de mim a energia e busquei fechar meus olhos para não te passar minha sensações que seriam transmitidas pelos abraços. Percebi que você se assustaria com elas. Achava que meus braços tremiam, mas quem realmente tremia era minha alma. Ela estava começando a congelar também, da mesma forma que eu fiz com meu corpo, mas era pela falta do seu calor. Todos os abraços realizaram trabalho gerando energia e depois outro trabalho transformando-a. Eu precisei aprender a me contentar com o abraço de outras pessoas. Mas são só outras pessoas...

Você me pediu para guardar minhas palavras. TODAS elas. Te confesso que não guardei todas; isso seria impossível. Mas as mais relevantes eu retive. Não sei bem onde... acho que as engoli junto com os beijos. Mas, ao invés do estômago ou qualquer outra etapa do meu processo digestivo, elas iam para a cabeça. Ficavam ecoando, circulando de corredor em corredor como se minha mente fosse um labirinto. Algumas voltavam tão convictas de si mesmas que eu até me perguntava se as tinha dito ou não. Tive que aprender a internalizar o silêncio que eu pronunciava. Pena que você não conseguiu ouvi-lo direito...

Você me pediu para guardar minhas lágrimas.
Nunca mais me peça isso.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Inspira, resp/... Acabou o tempo! Volta!

Escrevo para nós
num breve momento de respiração;

tão rápida, tão duradoura
tão estranha, não é?

Assustadora, sim; concordo contigo!
Mas não olhe para trás,
não tenha medo de olhar para frente,
olhe para o lado e verá seu reflexo comigo.

Não! Não! Não o roubei!
Ele apenas não sai da minha pele
Sua imagem não sai do meu nariz
Seu cheiro não sai da minha boca
Seu gosto não sai dos meus ouvidos
Ah, sinestesia!
É que você me confunde
me entende e me faz entender.

Eita, diacho, quanta coisa!





Vem?...

Zucazul da cor do mar

O que realmente machuca é
A sensação do ciclo interrompido
E o olhar, nunca antes tão perdido,
Vê teus olhos entre o céu e a maré.

O sentimento assustado
Ressalta a imagem marcante
Por mais que a perda espante,
Submete-se ao teu legado.

Apesar da vida breve
E do corpo ainda leve
Teu olho azul não engana:

Faz ver que não à toa
Tua alma, pura e boa
Não veio na forma humana.

sábado, 12 de novembro de 2011

estrada

me dê sua mão
a gente segue daqui
na mesma estrada
ainda lado a lado
side by side by side by side by side,
certo?
 
apenas outra caminhada
mas ainda juntos
com todos os planos
guerras que enfrentamos
nossa nação permaneceu
nossos inimigos enfraqueceram
hoje somos fortes como nunca.

as cicatrizes apenas marcam
tudo o que foi e ainda será
sem perder, sempre ganhando
adicionando,
acrescentando.

uma marcha,
soldado.

por tudo o que somos e não somos
por tudo o que quisermos
por tudo o que quisemos
ainda queremos ser um.
e somos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011