sábado, 12 de março de 2011

Dizer

Seu silêncio disse tudo o que suas palavras não seriam capazes de explicar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

(Des)homem

O homem cansou
de sentir,
de fazer,
de tocar,
de experimentar.

O homem não quer
suar,
cheirar,
ouvir
ou perceber.

O homem está preso
ao moderno,
ao industrial,
ao inorgânico,
ao artificial.

O homem gosta
da máquina,
do dinheiro,
de controlar o tempo,
de ser soberano no mundo.

Mas o homem não lembra
de sua origem,
da Natureza,
da arte,
da Paz...

Como este homem pretende
ter lembranças de sensações?
As únicas lembranças vão ser
do tempo perdido,
do dinheiro gasto,
da semente que não floresceu,
do gosto da comida artificial,
do cheiro de fumaça.

Não se lembrará
do que tocou,
do que viu além de olhar,
do cheiro da terra,
da Terra,
da borboleta que esvoaçou à sua frente,
da textura da argila,
da cor da Vida,
e há de lamentar
a vida perdida.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Acordei

Hoje acordei com vontade de ser um dente-de-leão.
Não aqueles pontiagudos e brancos que rasgam a carne num ato carnivoramente instintivo, ou então que se mostram num rugido de prepotência...
Quero ser um dente-de-leão e, com um suave sopro do vento, desfazer-me em incontáveis pedaços.
Meu corpo, então, sairá voando, percorrendo o espaço, a imensidão, com a invejada liberdade dos pássaros e uma outra vantagem ainda: não é necessário o bater de asas.
Apenas vou indo, vou indo
e vou indo..

domingo, 30 de janeiro de 2011

Desabafo do dia

Corpo vazio. Coração despedaçado, praticamente sumido. Quase como vidros, os olhos transparecem a dor ainda sem nome.

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Eu: Sr. Dia 30 de janeiro de 2011, por favor, será que o senhor se importaria de ser apagado e nascer novamente para que eu possa evitar as confusões em questão?

30/01/2011: Infelizmente, não posso ajudá-la da forma que pedes. Todas estas confusões pelas quais passam os seres vivos, sejam eles humanos ou não, são necessárias. O melhor que posso fazer por ti é chamar meu irmão, o Dia 31, e depois convidar o amigo Fevereiro a se fazer presente. Desta forma, irmão após irmão, amigo após amigo, as confusões se resolvem, os motivos se esclarecem, a dor some (e, havendo brecha para que o faça, volta, mas depois vai-se novamente) e a compreensão vem. Tenha calma. Ou tente pelo menos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Gosto de gostar

Gosto de rir com você das suas palhaçadas. Gosto de te ajudar nas suas tarefas. Gosto de ouvir suas músicas. Gosto de deitar no seu colo, aconchegando-me no conforto do seu ombro amigo. Gosto de ouvir sua risada. Gosto de te fazer cafuné. Gosto de coçar suas costas. Gosto de te proteger. Gosto de conversar com você. Gostou de ouvir sua voz. Gosto das suas gírias. Gosto do seu toque. Gosto da sua implicância. Gosto das suas brincadeiras. Gosto do seu beijo. Hm... ADOGO seu beijo!! Gosto da sua companhia. Gosto das suas habilidades. Gosto das suas mãos. Gosto dos seus pés. Gosto das suas perninhas de sabiá. Gosto das suas costas. Gosto da sua barriga. Gosto do seu narizinho torto. Gosto das suas orelhas. Gosto dos seus braços. Gosto MUITO do seu abraço. Gosto do seu cheiro. Gosto da sua pegada. Gosto do seu carinho. Gosto do seu dedo mindinho torto. Gosto das suas manias. Gosto de te ouvir cantando. Gosto da sua família. Gosto dos seus amigos. Gosto do seu cabelo. Gosto da sua bermuda listrada azul. Gosto do seu tênis furado. Gosto da sua letra. Gosto de dormir ao seu lado. Gosto de acordar ao seu lado. Gosto de te ligar. Gosto quando você me liga. Gosto de fazer Reiki com você. Gosto de meditar ao seu lado. Gosto de ver filme com você. Gosto de gostar tanto de você.
Gosto de você. Gosto muito de você. Adoro você. Eu te amo!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Quero

Quero sentar numa estrela
E pintar as cores das palavras
Que se transformam em lágrimas
Neste canto de sossego e harmonia
A cantar pelas declarações
Da saudade pulsante no peito,
Cintilante no olhar
Sempre lembrando e ansiando
Pelo reencontro.

Quero sentar numa árvore
E aprender com os pássaros
Expressões melódicas da emoção libertária
Que se tem ao levantar voo.
Aí, então, passaremos sobre vales e montes
Dizendo, de outra forma, que não cores,
Palavras e lágrimas, do Amor incessante.

Quero deitar numa nuvem
E conversar com ela sobre seus possíveis formatos
Ela me dirá, aí, que sua forma é toda e qualquer
A qual queiramos que seja.
Aprenderei, assim, que os olhos veem
Aquilo que querem.

sábado, 20 de novembro de 2010

Estátua

Estava sentada
e olhei para cima.
As nuvens se mexiam
sobre minha cabeça.
O resto permanecia inerte.

Veio, então, uma borboleta,
Tão azul quanto o mais límpido céu
E pousou em minha perna.
A partir disso, tudo pareceu viver.

As flores sorriam,
as árvores dançavam,
os pássaros cantavam
e eu, em sintonia com a borboleta,
vivia.

domingo, 3 de outubro de 2010

Tudo

Dentro de mim há um tudo.
Um tudo que não tem definição. Um tudo que é alguma palavra jamais pronunciada em língua nenhuma. Um tudo que, ao olhar para dentro, vê grandeza o suficiente em si mesmo, a ponto de saber de sua essência, ainda que não a conheça; ela o é apenas reconhecida enquanto existente. E esse mesmo tudo se vê insignificante ao olhar para fora e crer na infinitude celeste. É um tudo incompreensível que se manifesta dentro de mim quando sinto o vento no rosto, quando mato as saudades de quem amo, quando vejo o amor em situações inimagináveis, quando renovo minhas energias num banho de mar... Um tudo que está dentro de mim, e reconhece sua sinceridade de uma forma que só ele é capaz. E esse "tudo" é quase nada em sua humildade, mas, ao mesmo tempo, é do tamanho do inexplicável.